O rasto de destruição provocado pela depressão Kristin levou à paragem de várias fábricas do sector automóvel; há algumas que ainda nem sequer conseguiram retomar produção, adiantou o presidente da Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel (AFIA).
Por os edifícios terem as estruturas destruídas, há equipamentos paralisados "quer porque não têm local para trabalhar, quer porque foram danificados pela chuva e por outros destroços", explicou José Couto à agência Lusa.
Verifica-se ainda uma paralisação e atrasos no arranque de fábricas de componentes automóveis, sendo que algumas poderão demorar muito tempo a retomar, devido a perdas e danos nos edifícios e equipamentos.
360 empresas afectadas
Segundo o presidente da AFIA, foram cerca de 20 as firmas da indústria automóvel, localizadas entre Aveiro e Alcobaça, que foram afectadas pela tempestade Kristin, num universo que "andará à volta de 360 empresas".
Clientes europeus de algumas dessas empresas também terão sido afectados por essas interrupções, tendo alguns sido obrigados a alterar os planos de produção ou mesmo a parar as linhas.
Os maiores clientes são em Espanha e na Alemanha, onde deverá sentir-se mais o impacto dessa suspensão, mas também em França onde "existem fábricas que estarão neste momento com problemas", sinalizou José Couto.
Reinício lento da produção
Algumas das instalações fabris nacionais dedicadas ao sector automóvel já conseguiram reiniciar a produção graças aos estragos mais ligeiros nas suas estruturas, após paragens de dois a quatro dias por falta de energia eléctrica.
Ainda assim, o responsável da AFIA ressalvou que a informação pode não ser completamente fiável porque as empresas estiveram muito tempo sem energia e sem internet.
"Foi muito difícil contactar as fábricas", pelo que estão "continuamente a monitorizar este processo", esperando-se que "consigam rapidamente resolver questões como as coberturas dos edifícios ou os danos estruturais nos edifícios.
Recorde-se que o Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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